04 de Janeiro – Primeiro Domingo de Janeiro
Este ano, a 04 de janeiro, celebramos a Epifania, a manifestação de Jesus ao mundo inteiro. Se no Natal contemplamos o Deus que se faz pequeno e próximo, agora vemos esse mesmo Deus que se revela a todos os povos, representados na figura dos Magos. Eles são buscadores da verdade, homens atentos aos sinais, capazes de deixar tudo para seguir uma luz.
1. Os Magos de outrora: procuram inquietos
O Evangelho segundo São Mateus apresenta os Magos como estrangeiros, sábios vindos do Oriente, guiados por uma estrela. Eles não conheciam as Escrituras, não pertenciam ao povo eleito, mas tinham algo essencial: um coração inquieto, aberto ao mistério e à novidade de Deus.
• Eles veem um sinal no céu.
• Interpretam-no como anúncio de um Rei.
• Colocam-se a caminho.
• Não se deixam deter por dificuldades, distâncias ou incertezas.
Os Magos representam todos os que, mesmo sem plena compreensão, se deixam conduzir pela luz de Deus. Eles são ícones da fé que nasce da busca sincera.
2. Herodes e Jerusalém: a fé que se fecha
Curiosamente, quando chegam a Jerusalém, os Magos não encontram o acolhimento mas o medo. Herodes teme perder o poder; os chefes dos sacerdotes conhecem as Escrituras, mas não se movem.
É o drama de muitos: sabem muito, mas não caminham.
A Epifania denuncia a tentação de uma fé acomodada, que conhece a verdade, mas não se deixa transformar por ela.
3. Os Magos encontram o Menino: o dom da fé
Depois de atravessar a escuridão de Jerusalém, a estrela reaparece. E quando encontram o Menino com Maria, sua mãe, fazem três gestos que definem a verdadeira fé:
• Prostram-se: reconhecem a divindade.
• Adoram: entregam o coração.
• Oferecem presentes: ouro, incenso e mirra, símbolos do Rei, do Deus e do Servo sofredor.
A fé é sempre dom, mas é também resposta. Deus se revela; nós nos oferecemos.
4. Os Magos de hoje
Os Magos não ficaram no passado. Eles continuam a caminhar pela história. Os Magos de hoje são:
• Os que buscam sentido em meio ao ruído do mundo.
• Os que não se contentam com respostas fáceis.
• Os que, mesmo sem religião, têm sede de verdade e bondade.
• Os que seguem pequenas luzes — um gesto de amor, uma palavra de esperança, um testemunho cristão — e deixam-se conduzir por elas.
• Os que atravessam desertos interiores para encontrar algo maior do que si mesmos.
Quantos Magos passam por nossas vidas, às vezes sem que percebamos: pessoas que nos fazem perguntas, que nos provocam, que nos despertam para Deus.
5. O caminho atual para encontrar Jesus
Hoje, a estrela continua a brilhar, mas de outras formas:
• Na Palavra de Deus, que ilumina a mente e o coração.
• Na Eucaristia, onde Cristo se dá como alimento.
• Na Igreja, que, apesar de suas fragilidades, continua sendo sinal de Deus no mundo.
• Nos pobres, onde Jesus se manifesta com particular clareza.
• Na consciência, onde Deus fala no silêncio.
Encontrar Jesus hoje exige o mesmo que exigiu dos Magos: atenção aos sinais, coragem para partir, humildade para adorar.
6. O que oferecemos ao Senhor?
Os Magos ofereceram presentes. E nós, o que oferecemos?
• O ouro da nossa caridade.
• O incenso da nossa oração.
• A mirra dos nossos sofrimentos, unidos aos de Cristo.
A Epifania convida-nos a não chegar diante de Jesus de mãos vazias.
Conclusão
Que nesta Epifania, peçamos a graça de sermos como os Magos:
• buscadores incansáveis,
• peregrinos da verdade,
• adoradores humildes,
• testemunhas da luz.
E que, ao encontrarmos Jesus, possamos voltar pelo “outro caminho”, isto é, transformados, renovados, convertidos.
Que a luz da estrela nos conduza sempre ao Menino Deus, fonte de toda fé e de toda esperança.
Last modified: 4 de Janeiro, 2026
