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VI Domingo do Tempo Comum

1. “Se quiseres, guardarás os mandamentos” 

A primeira leitura, do Livro do Eclesiástico, coloca-nos diante de uma verdade desconcertante: Deus confia-nos a liberdade. Ele não nos força a escolher o bem, mas coloca diante de nós “vida e morte”, convidando-nos a optar pela vida. É impressionante perceber que Deus acredita tanto em nós que nos entrega a capacidade de decidir. Ele não manipula, não controla, não impõe. Propõe.

A fé cristã é religião que propõe uma relação de amor, e o amor só existe onde há liberdade.

2. A sabedoria que não é deste mundo

São Paulo, na segunda leitura, fala de uma “sabedoria misteriosa”, que não se confunde com a lógica do mundo. A sabedoria cristã não é acumular informação, mas aprender a ver como Deus vê. E Deus vê o coração. Vê as intenções. Vê o que está por detrás dos gestos.

A verdadeira maturidade espiritual não está em cumprir regras por medo, mas em deixar que o Espírito transforme o nosso interior. É isso que Jesus vai aprofundar no Evangelho.

3. “Não vim revogar a Lei, …”

No Evangelho, Jesus faz algo extraordinário: não elimina a Lei antiga, mas leva-a ao seu sentido mais profundo. Ele não se contenta com o mínimo. Vai ao essencial.

  • Não basta não matar: é preciso curar a raiva.
  • Não basta não cometer adultério: é preciso purificar o olhar.
  • Não basta evitar juramentos falsos: é preciso viver na verdade.

Jesus desloca o foco do exterior para o interior. Ele mostra que o pecado não começa nas mãos, mas no coração. E que a santidade não é um conjunto de proibições, mas uma transformação interior que gera liberdade.

4. A radicalidade do amor

À primeira vista, o discurso de Jesus parece exigente demais. Mas, na verdade, Ele está a libertar-nos. Porque o ódio aprisiona. O desejo desordenado escraviza. A mentira corrói. A falta de reconciliação destrói.

Jesus não quer que vivamos presos a estas forças. Ele quer-nos inteiros, livres, reconciliados, verdadeiros.

A radicalidade de Jesus não é moralismo. É amor, cura e libertação.

5. “Sim, se é sim; não, se é não” 

Num mundo cheio de máscaras, filtros, discursos ambíguos e meias-verdades, Jesus convida-nos a uma vida transparente. A palavra simples, honesta, coerente. Aquela que não precisa de adornos porque nasce de um coração íntegro.

A santidade não é complicação. É simplicidade. É viver de tal forma que a nossa vida fale por si.

6. Conclusão: escolher a vida todos os dias

Este domingo recorda-nos que:

  • Deus confia na nossa liberdade.
  • O Espírito quer transformar o nosso interior.
  • Jesus chama-nos a uma vida mais profunda, mais verdadeira, mais livre.

A pergunta que fica é simples e exigente: Que escolhas concretas posso fazer esta semana para escolher a vida, a verdade e o amor?

Deus nos dê um coração sábio, capaz de escolher o bem não por obrigação, mas por amor.

Last modified: 14 de Fevereiro, 2026

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