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IV DOMINGO DO ADVENTO

21 de dezembro

“José, filho de David, não temas…”

Às portas do Natal, somos convidados a entrar no mistério da Encarnação não apenas pela emoção da festa, mas pela fé madura que reconhece a ação de Deus onde os olhos humanos só veem confusão, surpresa ou medo.

Hoje, a figura central é São José. Um homem silencioso, justo, discreto — e, ao mesmo tempo, decisivo no plano da salvação.

  1. Deus realiza as suas promessas de modo inesperado

A primeira leitura recorda a promessa feita a David: Deus construiria uma “casa” para ele — não um edifício, mas uma dinastia, uma história, um futuro. Séculos depois, essa promessa cumpre-se de forma surpreendente: não num palácio, mas numa casa humilde de Nazaré; não através de reis poderosos, mas através de um carpinteiro e de uma jovem com um coração puro.

Deus é fiel, mas a sua fidelidade raramente segue os nossos esquemas. O Advento ensina-nos isto: Deus cumpre e surpreende.

  1. José: o homem que escuta Deus no meio da crise

O Evangelho apresenta José num momento difícil. Ele descobre que Maria está grávida e não sabe como lidar com isso. Não compreende, mas não julga. Não acusa, não expõe, não humilha. Procura a solução mais justa e misericordiosa.

É precisamente aí — no silêncio, na dor, na dúvida — que Deus fala.

O anjo diz-lhe: “Não temas.” É sempre assim: antes de Deus revelar o que quer, Ele cura-nos do medo que paralisa.

José acolhe a Palavra e muda o rumo da sua vida. Não exige explicações. Não pede garantias. Confia.

E é essa confiança que abre espaço para o nascimento do Salvador.

  1. O Advento pede-nos a coragem de José

José ensina-nos três atitudes essenciais:

Escutar

Num mundo cheio de ruído, José lembra-nos que Deus fala no silêncio. Sem silêncio interior, não há Natal verdadeiro.

Confiar

A fé não é ausência de dúvidas; é a decisão de caminhar mesmo quando não vemos tudo claro. José não compreendeu tudo — mas confiou em Deus.

Acolher

José acolhe Maria, acolhe Jesus, acolhe a missão. Também nós somos chamados a acolher Deus que vem, e a acolher os outros com a mesma ternura.

  1. O Natal aproxima-se: Deus quer nascer na nossa vida real

O Natal não é apenas memória; é presença. Deus quer nascer:

  • na família que tenta recomeçar,
  • no coração que perdeu a esperança,
  • na comunidade que procura unidade,
  • na pessoa que vive preocupações, medos ou incertezas.

José mostra-nos que Deus entra na história quando alguém diz “sim” com humildade e coragem.

Conclusão

Neste IV Domingo do Advento, peçamos a graça de viver como José:

  • com um coração que escuta,
  • com uma fé que confia,
  • com uma vida que acolhe.

Que, ao aproximar-se o Natal, possamos dizer como José: “Senhor, eis-me aqui. Faz em mim a tua vontade.”

Last modified: 19 de Dezembro, 2025

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