Irmãos e irmãs:
Nesta Páscoa, o nosso coração chega cansado e ferido por imagens de guerra, por notícias de destruição, por vidas interrompidas antes do tempo. Chega com perguntas difíceis, com silêncios pesados, com lágrimas que às vezes já nem sabemos explicar. E, no entanto, é precisamente neste cenário de escuridão que a Páscoa ousa falar.
A Páscoa não é uma festa para quem vive num mundo perfeito. Ela nasceu no meio da violência, da injustiça e da morte. O próprio Cristo atravessou o abandono, o medo, a dor e a cruz. Por isso, Ele conhece profundamente o que tantos vivem hoje. Nada do que sofremos Lhe é estranho.
Mas a Páscoa também nos lembra que a última palavra não pertence à morte. A pedra do túmulo foi removida, não para esconder a dor da cruz, mas para revelar que o amor é mais forte do que o ódio, que a vida é mais forte do que a morte, que a esperança é mais teimosa do que o desespero.
Hoje, quando o mundo parece desabar, a Ressurreição diz-nos que Deus continua a entrar nos nossos túmulos — os da guerra, os da perda, os do medo — para nos chamar pelo nome e nos levantar. No meio da noite da guerra, dor, destruição, torturas e mortes, ao longe, já se vislumbram os raios da aurora que não tardará e a Páscoa manifestará a força da vida nova que será plena na Ressurreição.
Que esta Páscoa nos dê:
- Coragem, para não desistirmos da paz.
- Compromisso, para sermos construtores de reconciliação onde vivemos.
- Ternura, para cuidar dos que sofrem ao nosso lado.
- Esperança, não como ilusão, mas como força que nos move.
Que Cristo Ressuscitado ilumine cada família, especialmente aquelas que choram, que esperam notícias, que vivem na incerteza. Que Ele cure as feridas visíveis e invisíveis, e nos faça instrumentos de vida num tempo marcado pela morte.
A todos, desejamos uma Páscoa que, mesmo no meio das sombras, deixe brilhar a luz que nunca se apaga.
Cristo ressuscitou verdadeiramente. Aleluia! Aleluia! Por isso, “celebremos a Festa, não com o fermento velho, nem com o fermento de malícia e perversidade, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade“. (1 Cor. 5, 8)
Os Párocos
P.e António Novais Pereira
P.e António Júlio da Silva Cartageno
Last modified: 4 de Abril, 2026