“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”
As leituras deste domingo conduzem-nos ao centro da identidade cristã: somos chamados, escolhidos e enviados. Não por mérito, mas por graça. Não para nós mesmos, mas para o mundo.
1. “Tu és o meu servo… farei de ti luz das nações” (Is 49)
O profeta Isaías apresenta a figura do Servo de Deus, alguém chamado desde o seio materno, preparado para uma missão que ultrapassa fronteiras. Deus diz-lhe: “Não basta seres meu servo… farei de ti luz das nações.”
É impressionante: Deus pensa sempre maior do que nós. Onde nós vemos limites, Ele vê possibilidades. Onde nós vemos fragilidade, Ele vê vocação.
Também nós, muitas vezes, reduzimos a fé ao nosso pequeno mundo: a nossa família, a nossa paróquia, os nossos problemas. Mas Deus sonha mais: quer que a nossa vida seja luz, que toque outros, que ilumine realidades que talvez nunca imaginámos.
2. “Graça e paz da parte de Deus” (1 Cor 1)
Paulo recorda aos cristãos de Corinto — uma comunidade cheia de tensões — que eles são “santificados em Cristo Jesus e chamados a ser santos”.
A santidade não é um prémio para os perfeitos. É um caminho para os disponíveis. É a vida de quem se deixa transformar pela graça.
Paulo começa a carta com um gesto simples: deseja graça e paz. Talvez seja isto que falta tantas vezes nas nossas relações: – menos exigência, – mais graça; – menos conflito, – mais paz.
3. “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1)
No Evangelho, João Batista aponta para Jesus e diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”
Não diz: “Eis o juiz”, “Eis o poderoso”, “Eis o que vos vai castigar”. Diz: Cordeiro — símbolo de mansidão, entrega e reconciliação.
Jesus não vem esmagar o pecador, mas libertá-lo. Não vem condenar o mundo, mas curá-lo. Não vem impor-se, mas oferecer-se.
E João acrescenta: “Eu vi e dou testemunho.” A fé nasce do encontro pessoal com Cristo. E cresce quando nos tornamos testemunhas — não de teorias, mas de vida.
4. O que isto significa para nós hoje?
a) Somos chamados
Deus conhece-nos pelo nome. A nossa vida não é um acaso. Há uma missão que só nós podemos realizar.
b) Somos enviados
A fé não é para guardar, é para partilhar. Cada gesto de bondade, cada palavra de reconciliação, cada ato de justiça é luz que se acende no mundo.
c) Somos testemunhas
O mundo não precisa de cristãos perfeitos, mas de cristãos verdadeiros: – que reconhecem as suas fragilidades, – que acolhem a misericórdia, – que apontam para Cristo, como João Batista.
Conclusão
Neste domingo, ao ouvirmos novamente: “Eis o Cordeiro de Deus”, deixemos que estas palavras nos toquem. Que nos recordem que Deus não desiste de nós. Que Cristo continua a tirar o pecado do mundo — começando pelo nosso. E que o Espírito nos envia a ser luz, mesmo quando o mundo parece escuro.
Que esta Eucaristia renove em nós a alegria de sermos chamados, amados e enviados.
Last modified: 15 de Janeiro, 2026